A prefeitura de Pelotas deu prioridade à criação de um escritório para elaborar projetos de excelência técnica e consistência inovadora e captar recursos. Captou de início mais de R$ 100 milhões junto ao Governo Federal. Esse foi o começo de uma pequena revolução que mudou a paisagem da cidade. As principais ruas e avenidas foram reformadas, abriram-se novas vias, a prefeitura executou a pavimentação de ruas em todos os bairros e colocou em prática um programa de criação de ciclovias e ciclofaixas ambicioso, que dotou a cidade de uma malha cicloviária de mais de 50 quilômetros.

O Mercado Central, uma construção histórica no coração da cidade, havia passado por restauro minucioso coordenado pelo Iphan alguns anos antes, mas sua finalidade ainda era indeterminada. A prefeitura propôs em 2014 o processo de revitalização que transformou o velho patrimônio em um ativo centro de artes e lazer, com bares, restaurantes, bancas de produtos típicos, programações musicais e um pulsante mercado de pulgas aos sábados. As mudança construiu uma nova identidade e integrou-o à vida pelotense. Hoje, o Mercado Central é uma referência inegável e nenhum turista passa pela cidade sem conhecer algumas das suas atrações ou provar um dos inigualáveis doces de Pelotas.

Antes da mudança física no cotidiano do pelotense, no entanto, houve uma mudança conceitual: como uma comunidade precisa se conceber para que pertença de fato a cada um dos indivíduos que a compõe. Essa nova forma de perceber o convívio cotidiano resgatou uma organização que Pelotas já tinha esquecido e começou a moldar o princípio urbano que prioriza o munícipe e se consolidou na gestão Eduardo Leite – a cidade voltada para o cidadão.

O comércio ambulante de lanches era um dos grandes exemplos da desorganização urbana: ao longo de anos de de fiscalização precária, deixou de ser ambulante e tornou-se fixo, utilizando o espaço público de forma permanente e indevida. Os trêileres perderam as rodas e a mobilidade, a higiene piorou, o número de estabelecimentos excedeu em muito o razoável para a atividade e a situação do segmento tornou-se a cada ano mais precária, deixando a cidade mais feia e os negócios menos atrativos. A partir de 2013, com transigência e diálogo, mas com total convicção na necessidade de mudança, o governo abriu a negociação com os empresários do comércio ambulante. Reativo de início, o segmento acabou por compreender que era preciso readequar-se à realidade atual e iniciou-se o processo de reconversão, cujo final foi um sucesso coletivo:

Com as novas regras, os trêileres passaram a ter horários para funcionar e a ser retirados depois do expediente.

Os proprietários se enquadraram no modelo proposto e investiram em novos carros-lanches, em novas marcas para os seus produtos, qualificaram os cardápios e fizeram uma imersão no conceito de food trucks.

O consumidor aprovou a mudança. Os negócios melhoraram. A cidade ganhou em serviços, beleza e organização.

O balneário Laranjal sofria também um longo processo de degradação. Ocupado há décadas por comerciantes que construíram sem licença nem regras os seus estabelecimentos sobre a areia da orla, cada um de um jeito, ofereciam um serviço precário e impediam a visão integral da bela praia banhada pela Lagoa dos Patos. A partir de 2013, a prefeitura passou a apresentar processos para devolver a área ao cidadão, propor um novo modelo de quiosques, com banheiros integrados e públicos, e que ajudassem a compor o cenário desse patrimônio inestimável em vez de prejudicá-lo. Os antigos estabelecimentos foram desocupados e demolidos. Uma licitação para construir e explorar os novos quiosques, cujo modelo foi desenvolvido pelos arquitetos da prefeitura, abriu nova perspectiva para todos os frequentadores do balneário, que agora podem apreciar na totalidade a beleza da magnífica praia pelotense.